27.8.12

celebrar o quê?

E quem disse que precisa de motivo pra comemorar ou celebrar alguma coisa?

Sábado ganhei um pic-nic surpresa com direito a champagne, uva sem semente, kit kat e lanchinhos com queijo. Ah é, e uma flor. Tudo isso durante o pôr-do-sol.

E não quero contar mais nada porque a surpresa foi só pra mim.

Nessas horas que seu coração bate mais forte e seus olhos brilham é que você se dá conta do quanto ama a pessoa.

Te amo,Pipio!

4.8.12

Uma última carta



Não temer a morte. Bom, não parece tão difícil, certo? Afinal, uma vez que se morre, não se tem mais consciência de que se está morto. Confuso? Não, é Epicuro falando. Acho que não tenho medo da morte em si. Tenho medo de morrer num acidente de carro sem que dê tempo de dizer adeus às pessoas que amo.  Mas será que mesmo quando se espera a morte de alguém, fica mais fácil suportar? Talvez. E aí tem toda a questão da idade. Ficar idoso não significa que se esteja mais preparado pra quando a morte aparecer pra dar um Oi. Quando um velho morre, é como se dissessem ''ah,tudo bem, estava velhinho mesmo''. Quando um jovem morre, é mais pra ''nossa, que pena, tinha uma vida pela frente''. Mas o que é viver? Por que fazemos esse tipo de descriminação? Como se um merecesse mais a morte do que o outro. Talvez aquele velho que morreu só estivesse realmente vivendo agora que se tornou idoso. A vida, teoricamente, fica mais mansa e eles podem, enfim, tomar conta de si novamente. Infelizmente não é isso que costuma acontecer. Nosso corpo foi programado para começar a se auto-desligar conforme nossa idade avança. Alguma coisa a ver com a morte das células.

E dessa vez foi você, né vô? Seus 86 anos falaram mais forte. É Paulinho, você deixou saudades.... Todos nós dissemos que tentaríamos consertar você. E acredite, não faltaram esforços. Egoísmo de nossa parte? Talvez. Acontece que queríamos você mais um tempo por entre nós. A sua casa parece grande demais. Ficou vazia. Você, apesar de baixinho, preenchia todos os cantos dela com seu enorme coração. E de repente tudo acabou, como num estalar de dedos. Não, você não sofreu como a vó. Vimos ela definhar por dois anos até que enfim a morte aparecesse a ela. Mas com você não. Uma gripe aqui, uma tosse ali. Só que você nunca reclamava, vô! Como íamos adivinhar que você estava com dor? Poxa, você podia ter dito pra gente... Não é que eu queira te culpar. Simplesmente tinha que ser assim. Não é revolta também. É saudade. E das brabas ainda. Chegar em frente a sua casa e não te ver sentado na varanda vai ser estranho por uns tempos. Não faz mais sentido...

A gente parece ficar anestesiada. Olhar você naquele mar de flores dentro do caixão foi bastante surreal. A gente chora, mas o peso e o nó na garganta continuam. Há alguns dias você ainda me abraçou e disse que iria sarar. Eu fiquei esperando,vô. Mas não tem problema. Não queria te ver sofrendo. Desculpa por não ter passado ao noite velando você. Eu estava cansada, vô. Perdão. Você tava tão frio..e tão bonito. Uma pena que tenham tido que fechar seus olhos. Eles eram lindos e diziam quase tudo. Saiba que foram os seus genes que me presentearam com um par de olhos verdes. Apenas pra mim e pra Mari. Sinto sua falta vô. Cadê seu beijo de boa noite? Cadê você dizendo ''dorme com os anjinhos''?

Vô, você se foi. E não faço ideia de como colocar tudo o que eu sinto em palavras. É vasto demais. Ficam as lembranças. Tão  efêmeras, mas tão cheias de significado.

..os chocolates
..as idas aos pesqueiros e ao sítio
..os passeios em supermercado
..seu amor pelos animais
..as muitas partidas de bingo, truco e caxeta
..você pedindo, sempre muito educado, se eu poderia ir até à farmácia comprar uns remédios que haviam acabado
..as vezes em que dava uma de enfermeira e media sua pressão e diabetes
..você sempre desejando que a gente saísse e se divertisse
..você olhando pra novela que passava na tv e dizendo ''essa novela é bonita,né?''
..seu pedido para que trouxéssemos um sorvete de coco queimado pra você
..ver você se deliciando com suas comidas preferidas
..você contando piada
..você reclamando da política e dos EUA
..

não consigo dizer mais nada.
Por quanto tempo ainda vou me sentir assim?
Vô, não sei também aonde você está.
Perdemos alguém insubstituível. Que deixou várias lições aos filhos, netos e quem mais tivesse convivido com você. As minhas preferidas?
 A lição de calar-se se for pra falar besteira. A lição de que tudo pode ser resolvido calmamente, sem ofensas e brigas.

Emociona demais colocar isso pra fora. Fica bem, tá?
E que o tempo seja capaz de amenizar isso tudo.




"Lights will guide you home
And ignite your bones
I will try to fix you..."


E um obrigado aos amigos que deram força nesse momento. Significou muito pra mim.



22.7.12

nem que sim, nem que não

nem uma ode à magreza ou uma ode às dobrinhas.
uma ode ao amor próprio e amar-se como se é.
nem ateu ou religioso.
apenas alguém que tem fé.
nem burra ou inteligente.
diferentes percepções acerca das coisas.
nem solteira, nem namorando.
só curtindo.
nem velho, nem novo.
apenas vivendo.
nem capitalista, nem socialista.
só torcendo por um mundo mais justo.
nem cru, nem bem-passado.
no ponto.
nem charlie sheen, nem madre teresa.
um ser-humano.
nem branco, nem preto.
apenas com mais ou menos melanina do que você.
nem adolescente, nem adulto.
uma metamorfose ambulante.
nem rico, nem pobre.
dinheiro? é o quê?
nem sábio, nem ignorante.
verdade? existe?
nem alegre, nem triste.
felicidade? cadê?


e deixe soar como uma eterna estabilidade.
não há necessidade de extremos.
será?









porque a gente precisa disso.
menos rótulo.
menos apego.
mais vivência.
e mais consciência de que somos mortais.
até porque, viver pra sempre deve ser uó.
leram minha mão esses dias.
e minha vida vai ser linear.
argh.

20.7.12

le férias

Ahhh,como é bom estar de volta. N.
Brinks.
Sumi por uns tempos porque fui pra Matão, minha cidade natal. de volta pra minha terra.
Tenho parentes por lá ainda,só que a cidade não oferece muitos atrativos. É mais pacata do que Americana.
O intuito de ir pra lá era visitar meu vovô, e depois íamos passar 2 dias em Olimpia. Eu já fiz uma postagem sobre meu dia em Olimpia, mas é que dessa vez eu me diverti mais.
No primeiro dia, entretanto, eu estava menstruada. ¬¬'
Aí fiquei lá, tomando sol igual iguana e tomando uns bons drink de diva, tipo o de champagne com morango.
O ponto alto do dia foi ir embora, porque foi um saco ficar lá enquanto todo mundo ia nadar nas piscinas.
Ainda bem que no dia seguinte já estava tudo bem, e eu ia poder nadar.
Um adendo antes de eu continuar minha narrativa: não ficamos hospedados em hotel. Minha mãe deu migué pra um primo dela e ele emprestou a casa que ele tinha pra gente ficar. ACONTECE QUE NEM ELE OU A ESPOSA AVISARAM QUE HAVIA UMA CRIAÇÃO DE GALOS NO TERRENO DOS FUNDOS.
E se alguém quer me acordar e me deixar mal-humorada pelo resto do dia, é só imitar bichos.
Odeio latidos, miados, mugidos e galos que cantam a noite inteiro.
É, os FDP cantaram a NOITE INTEIRA.
Acordei por volta das 5h puta da vida, e fiz questão de acordar minhas irmãs para se juntarem à minha causa.
Abri a janela do nosso quarto, tirei o pigarro da garganta e imitei um galo cantando.
Pra você ver o ponto em que eu chego quando quero dormir e animais bipolainas não deixam.
Pensei que, ao imitar um galo, eles perceberiam que havia um galo alpha na área e parariam de cantar.
N.
Eles cantaram com mais força ainda.
Continuei cantando até ouvir minha mãe gritar do quarto dela ''PÁRA DE IMITAR GALOS QUE EU QUERO DORMIR!".
Respondi com um "EU TAMBÉM!".
Tá.
Não dormi nada essa noite, mas estava pronta pra nadar.
O dia foi tudibom. Nadei um monte, ri um monte, carneiros comeram meu vestido, quase fiquei sem a parte de cima do biquíni..
Cozinhei na sauna, quase morri afogada na piscina de correnteza, e tals.
Daora.
A não ser pela dermatite que adquiri neste dia.
Meu pescoço queimava e coçava e era uó.
Felizmente passou.

FIM.